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Cafayate – Argentina

Cafayate seria apenas mais uma vilória adormecida, não fosse a fama dos seus vinhos e a beleza do desfiladeiro que leva o seu nome. Mas estes são motivos mais que suficientes para que a viagem a Cafayate, no Norte da Argentina, valha a pena.

Os cerca de doze mil habitantes de Cafayate parecem, como a grande maioria dos argentinos, terem emigrado de outro lado qualquer. Os campos de vinha que rodeiam a povoação foram trazidas pelos espanhóis – sabe-se que a Companhia de Jesus foi a primeira a plantá-las na região para celebrar a missa e são agora o ex-líbris e chamariz turístico desta pequena vila argentina. Protegida das chuvas e a cerca de mil e setecentos metros de altitude, a povoação tem um clima característico, bastante seco, que combina a neve das montanhas com a areia quente dos vales.

Já conhecia um pouco desta zona, mas não esperava encontrar em Cafayate um nicho turístico em vias de exploração. À volta do quadrado de cimento com canteiros arborizados que recria a Plaza de Armas de qualquer cidadezinha espanhola, desenrola-se um rosário de restaurantes, gelatarias e lojas de artesanato. Na rua principal aparecem anúncios de pensões familiares – por vezes em inglês e hebreu. Já há mesmo restaurantes com funcionários vestidos de gaúcho, o cowboy das pampas argentinas, e artistas a condizer que, de guitarra ao peito, fazem música para turista ouvir.

Na rota do turismo enológico, com um clima ameno e um enquadramento exclusivo, entre o magnífico desfiladeiro de Cafayate, onde corre o rio de las Conchas, e os Andes, não são necessários monumentos histórico-arquitectónicos para justificar os milhares de turistas que por aqui passam anualmente. Alguns chegam em visitas rápidas de um dia a partir de Salta, a capital da província, outros passam a caminho de uma outra atracção turística, que é a bela aldeia de Cachi, nos vales Calchaquies.

Mas muitos vêm também para ficar alguns dias, porque simplesmente é bom ficar aqui. Não há locais altos de onde se possa apreciar em simultâneo o contraste entre as dunas, os vinhedos e as montanhas com restos de neve, mas é muito curioso poder avistá-los todos, um a seguir ao outro, numa área tão reduzida. E para além das originalidades culturais e geográficas, a desaceleração é total: visitar um par de quintas produtoras de vinho, fazer uma caminhada até Los Médanos, o pequeno mar de dunas brancas que fica a cerca de seis quilómetros de distância, dar um passeio calmo pela vila adormecida, explorar o desfiladeiro de bicicleta… este foi o plano que segui à risca para me embeber na cultura, na língua e no ritmo lento do tempo a passar.

Texto: Alma de Viajante

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